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Laços Matrimoniais…

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Antes de todos os sonhos, apenas um pedido de casamento…

No início apenas um sonho impossível que escorria por todas as minhas artérias quando ouvia a sua deliciosa voz. Vontades que pareciam inócuas a tantos anseios que perambulavam dentro de mim… Uma vontade de uni os nossos lábios com fitas de seda e de te beijar suavemente aumentava a cada instante que pintava por aqui. Era o desejo em degustar cada sabor que seus beijos eram capazes de produzir. Nas mais deliciosas formas de lascívia deixavam a minha boca na tua, o meu corpo sob o seu e deixava o teu perfume passear pela minha pele me atraindo em certezas concêntricas.

Todo esse desejo, essa mistura de prazer e sonhos estavam distantes, parecia uma pedra atirada à água, pois tratava-se apenas dos pensamentos envoltos numa voluptuosidade onde a distância misturada a saudade é apenas um círculo, ou linhas paralelas que transformam-se em estradas. E a cada ligação o teu respirar suave me abraçavas, e o meu pensamento buscava o seu corpo em qualquer lugar, em qualquer esquina, longe ou perto de mim… Unia os nossos passos com as fitas dos caminhos partilhados e com a certeza das direções.

De olhos fechados sentia os contornos da tua boca no meu pescoço ao me beijar em esboços suaves a carvão. As roupas que aos poucos iam sendo despidas enquanto te acariciava suavemente, iam desnudando todos os pudores que ainda existia. O toque da seda pela tua pele em suaves pinceladas de aquarelas em sentimentos esculpia a lascívia de nossos corpos desenhados na alma. A cada troca de palavra, a cada desejo diluído era como o encontro das nossas roupas entre passos e beijos dispostos pelo chão. Eu, sempre refém dos nossos corpos entrelaçados.

Entre o nosso desejo, uma estrada de vias tortas e alguns reflexos de pontas soltas e indícios de nós cegos. Alguns fios desfiados, laços imperfeitos e um violão encostado a espera da sua melodia. Eu que sempre preferi as estradas, longe ou perto, aos poucos vou deixando me envolver em seus laços e quando olho para traz vejo que a estrada parece cordas partidas de um violino. Deixo me envolver no seu abraço aconchegante e me embriago todo seu poder de sedução.

Envoltos num laço de sonhos, desejos, lascívia, ajoelho-me aos pés e peço que me envolvas, e que venhas para mim, quero ficar em seu corpo e sentir os seus beijos, quero você num laço de fita, num laço livre, mas que seja meu,

Casa comigo?

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  1. 28/10/2009 às 06:51 | #1

    Quase nunca acredito em laços matrimoniais. Prefiro acreditar nos laços da alma. mas, sendo esse um pedido tao lindamente poetico…

    Aceito!

    sera que agora tenho que te chamar de marida?

    hahahahahahah

    bjos, Frô!

  2. 28/10/2009 às 10:59 | #2

    Nossa, que lindo! “Case-se comigo na igreja e no papel – vestido branco com bouquet, lua-de-mel – diga SIM pra mim!”, acho que é da Isabela Taviani, e também acho lindo. Bjs entre marés e ares :*

  3. 28/10/2009 às 17:00 | #3

    Sabe que eu vou copiar e imprimeir essa maravilha para entregar para os noivos quando do Encontro da minha Paróquia. Lindo minha criança.
    é por isso que tem um selinho pra ti lá no
    http://mimosdavovoro;blogspot.com
    vai pegar com carinho minha criança!
    Te amo!

  4. 28/10/2009 às 21:51 | #4

    Sonhar é bom e é preciso, mas esquecer e abandonar as estradas mesmo que elas nos pareçam cordas partidas de violino, não aconselho, pois cordas partidas de violinos, violões, violoncelos são facilmente reparáveis.
    Depois se resolve a questão do casamento.
    Belo conto guria.
    Beijo

  5. 28/10/2009 às 22:18 | #5

    Eu tenho certeza que depois de um pedido desse, como recusar? Quer dizer, depois desse casamento de almas, unir os corpos dentro de uma casa, é quase nada! :D Beijus,

  6. 30/10/2009 às 08:09 | #6

    O que desagrada um pouco é que nem sempre a poesia vai além das linhas. O casamento hoje em dia é poético até atravessar a rua.
    Mas o seu texto mostrou a poesia que pode haver se duas pessoas lembrarem que há poesia em todos os detalhes, mesmo aqueles pequenos. Grande abraço

  7. 31/10/2009 às 14:16 | #7

    Tu escreve uma coisas tão bonitas, com tanta poesia que eu nem sei o que comentar. Aí eu abro o formulário e fico aqui pensando “E agora, José?”
    Nada que eu comente vai soar tão singelo do que as cenas que eu imagino quando leio as coisas que eu escreve.

    Beijo, amorzinho da minha vida

  8. 06/11/2009 às 13:27 | #8

    Não sou muito fã de comentários sempre passo e leio e pronto. Mas, este pedido de almas…Hummm…É o melhor, e, é o qual eu acredito.
    Beijitos, para sua alma delicada.

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