… para nunca mais voltar…
“Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.”(Álvaro de Campos)
A vida é feita de encontros e despedidas. Mas também pode ser feita de algumas saudades, outras nostalgias e de um punhado de sorrisos e lembranças. Dos encontros, sempre ficará a expectativa dos sorrisos; e nas despedidas, o que fica são lembranças que se misturam às lágrimas nostálgicas. Porém, no meio de tudo isso, encontramos as letras, que são feitas de ilusões e dessa mistura de vida com uma pitada de sentimentalidade…
Mas as letras também se despedem, vão embora se evaporam entre as lágrimas do existir. É o ciclo natural das coisas que sempre chega ao fim. Dizem que as letras também cansam, elas se transformam em palavras cruzadas percorrendo repetições inteiras. Um labirinto de poesias mal feitas, cansadas de correr entre as rimas do tempo.
"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho."
(Mário Quintana)
Na despedida dos versos, eu trago em mim um coração apertado e uma lágrima a enfeitar o rosto triste que se despede dos poemas que foram recitados numa estação de trem. Nos dedos a saudade chora palavras a fim de enfeitar o papel, mas essas, apenas machucam a nostalgia carregada daquelas lembranças do início de tudo.
E numa retrospectiva de recordações o tempo se desfaz e não é contado em suas prioridades. Aqui, até as fotografias são refeitas em vídeos numa memória poética a fim de gravar apenas as canções que tocavam sorrisos. É certo que algumas dores cantaram sem serem vistas, mas o que fica são apenas saudades carregadas de doces e eternas lembranças felizes…
Findo por aqui minhas palavras fragmentadas, em algum lugar do verso eu sei que elas perderam o sentido. Elas estão vazias de mim, da tal sentimentalidade que carrego em minhas conotações. Não quero mais repetir as estações do rádio, nem tocar a mesma música, mas se por acaso ela tocar no player quero me iludir na intenção de nunca ter escutado tais acordes.
Deixo aqui apenas uns poucos fragmentos escritos na tarde de outono em que eu me vi nua diante de todas as palavras.
Vou embora carregando na mala a saudade dos acentos e das letras que ficaram perdidas na corda de um violão. Levo nos olhos as lágrimas de anos inteiros escrevendo palavras fragmentadas em mim. A despedida dói, mas se faz necessária em certos momentos…
Deixo apenas um álbum cheio de polaroide e algumas folhas secas dentro dele. Essas folhas imitam fotografias das letras de inverno trazendo lembranças de tempo e espaço percorrido. O meu trem está chegando, dos meus olhos escorrem cachoeiras, é o fim dos Pequenos Fragmentos e das letras que despedem de mim.
Findo qualquer arrepio de versos nas reticências do sem fim…
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação …
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra … )
Quero solidão.(Cecília Meireles)
“And if you say be alright
I’m gonna trust you, babe
I’m gonna look in your eyes
And if you say be alright
I’ll follow you into the light.”(Sara Bareilles)
… para nunca mais voltar…
Do que trago em mim…
Trago em mim vontades explícitas de ti:
vontades de pele, de sexo, de corpo, de alma.
Trago também sentimentos que ultrapassam
aquilo chamamos de amor.
Trago o sentir e o querer que é tão vívido
quanto os aromas das minhas vontades
numa tarde de outono à beira mar.
Trago no corpo o seu corpo tatuado
com as impressões nuas e sem o pudor
das minhas digitais e dos beijos que ficaram por beijar.
Trago em mim o tenho em ti.
O depois da paixão
E eu precisaria de muito mais outonos para preencher as palavras que ficaram por dizer…
Das lembranças acumuladas, restam-me apenas os sorrisos, as memórias, as saudades e uma brisa no final da tarde. Da nostalgia daquela canção, restam-me as letras, o sorriso no canto do rosto, as lágrimas necessárias e as madrugas solitárias, porém felizes. Dos vícios, ficaram apenas os polaroides na estante do quarto guardando os preciosos momentos de um pulsar feliz e apaixonante. Das coisas, restam-me as letras apaixonadas. Das pessoas, restam-me as paixões, pois esta me move todos os dias. Das paixões, restam-me lembranças, saudades, versos, passeios e tantas outras recordações e pulsações. Porque eu aprendi que o amor não se limita em apaixonar-se apenas por pessoas, mas sim pelo que me faz feliz, pelo que não aconteceu, pelo que é vida e por tudo isso que eu sinto em meio as letras e fora delas. E de todas essas minhas formas de paixão eu falo outro dia, porque andar de bicicleta também é se apaixonar, e com licença, agora eu estou apaixonada e preciso viajar nos pedais…
*ouvindo P!nk – Glitter in the air. Porque eu também me apaixono por músicas…
(re)descobrindo…
Sob uma paisagem outonal, próximo dos versos soltos, viajamos ao som de doces canções; e, desses acordes, surgem pequenas palavras e breves diálogos que desenham sorrisos, no eterno descobrir, aprender… viver. Reviver!!
Você: Já sei por que nos damos tão bem.
Eu: Por quê?
Você: Porque você ama música, porque você me entende, porque você canta comigo, porque você é sensível, porque você é a minha metade mais completa, e, por sua culpa redescobrir algumas coisas que pensei ter perdido.
Eu: o que, por exemplo?
Você: Que para ser feliz precisa-se de muito pouco…
Eu: eu te amo!
“Você me faz tão bem que quando chega perto
com esse seu sorriso aberto,
muda o meu olhar, meu jeito de falar.
Junto de você fica tudo bem, tudo certo. “
Poema mal feito
Dia de domingo
manhã de ventos
cheiro de chuva
sol entre nuvens
Outono adiantado.
As flores no jardim
desmascara primaveras,
rasga o verão
e no murmúrio das águas
teima em nascer o tempo…
Quebra-se a rotina
e nos braços:
prolonga-se o vazio
da ausência sem presença.
Nessas lembranças:
escorre o vento,
mensageiro do tempo
gotas de saudades.
“Só porque encontrei você…”
E depois de um bom tempo sem aqueles acordes, meio que por acaso e sem explicação, hoje eu cantei com Leoni.
Voltei a ouvir aquelas canções que tocavam no meu violão nos corredores e nas arquibancadas da quadra da escola; junto daqueles amigos que entre os livros carregavam letras de canções, poesias e fotografias.
E no meu peito surge uma saudade daquelas que me faz sorri lágrimas nostálgicas e cantaroladas.
Coisas lindas e perfeitas da vida…
Eu tinha até esquecido como essas canções dele me fazem bem.
E agora estou aqui, com um violão desafinado, ouvindo Leoni como se não houvesse amanhã.
A voz do Leoni é o som de um doce violão que parece ser tocado ao luar, nas pedras do Arpoador, ou então nas areias da praia de Coroa Vermelha, sei lá! Eu só sei que eu me “viro do avesso” quando ouço os belos acordes dessas músicas, pois eu não resisto aos mistérios desse garoto.
“Porque depois de você, os outros são os outros e só…”
Eu poderia passar a madrugada inteira selecionando canções, mas seria em vão, porque eu sei muito pouco sobre “mãos, bocas e perfumes…” São tantas letras, tantas cartas, tantas músicas que eu acabaria deixando passar aquela canção que me fez subir ao palco na festa de despedida que organizamos na escola…
Sensações inexplicáveis. Apenas saudades, sorrisos e a leveza de uma noite de verão onde os ventos parecem dormir.
Por isso, eu invento músicas e canto alto com um sorriso no rosto relembrando momentos e estampando a felicidade no coração.
Se você me perguntar porque, depois de tanto tempo, só hoje estou ouvindo Leoni, eu não saberei explicar. Sei apenas que tocou no player a saudade de tudo, meio que por acaso, mas o acaso não existe. Então, estou aqui ouvindo, cantando, tocando e desafinando a letra, dando o “melhor pra mim”!
‘Por acaso’ me lembrei dessa música – porque não eu – e ai pronto: a saudade tocou cheia de felicidade e sensações…
Ô saudadezinha daquelas gostosas…
P.s¹.: Se você curte o som do Leoni, clique aqui e escolha a sua canção – se quiserem, podem deixar a música escolhida no comentário;
P.s².: Conheça o site do Leoni (http://www.leoni.com.br/).
Cecília na segunda!
De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças…
Cecília Meireles
Quem me conhece sabe que eu amo as segundas-feiras, e também adoro a Cecília Meireles. Então nada melhor do que começar a semana lendo Cecília.
A segunda-feira é sempre perfeita, pois tem cheirinho de (re)começo. A segunda-feira é colorida e cheia de poesia. Viva as segundas-feiras!!
Beijos e bom dia, mas como diria o meu Amigão:
BOM DIA MESMO!!
Coisas de domingo…
Domingo: dia de ouvir música, de estar perto do amor, de sorrir… Pensando bem, todos os dias são. @vanluchiari
Domingo. Música. Filme. Passeio. Bicicleta. Livro. Leitura.
Domingo é dia de ouvir música, ler, passear e viver descompassadamente. Sair por ai feliz, livre, leve…
Domingo, dia leve que se descobre em cada momento, em cada nuvem do céu.
Domingo. Paradeiro. Dia cheio de desejo, dia de carregar flores e enfeitar a casa, o quarto a música. Domingo, dia cheio de reticências…
Do lado de “dentro”
Conhecer. Sorrir. Aprender. Conviver.
A vida é feita fora de todas as paredes de um escritório.
Eu não tenho culpa de ter asas!
Para o domingo…
Domingo. Dia de sol. Ventos. Cores perfeitas. Manhã leve. Cheiro de maresia e a brisa, que entra pela janela, brincam com as cortinas… No player a musicalidade da alma. No tempo, as horas correm e eu ignoro os ponteiros. É domingo e eu quero aproveitar cada pedacinho desse dia. A manhã está quase indo embora, e eu me despeço sem lágrimas, porque a tarde chega de mansinho trazendo a beleza de uma quase segunda-feira… Daqui a pouco meus pés pisarão nas areias da praia.
“Todo mundo precisa de inspiração
Todo mundo precisa de uma canção
Uma bela melodia
Quando a noite é tão longa
Porque não há nenhuma garantia
Que a vida é fácil
…
Quando as ondas estão inundando o litoral e eu
Não consigo encontrar o meu caminho de casa
É quando eu, eu, eu olho para você”
(When I look at you (tradução) – Miley Cyrus)
Everybody needs inspiration
Everybody needs a song
A beautiful melody
When the night’s so long
Cause there is no guarantee
That this life is easy…
When the waves are flooding the shore and I
Can’t find my way home anymore
That’s when I, I, I look at you(When I look at you – Miley Cyrus)
Que seja um bom dia! Que a tarde seja feliz! Que o domingo seja cheio de sorrisos, que o dia seja perfeito e que a vida seja leve… Belos dias… belos ventos… belas tardes!
Que o domingo seja leve como a canção que toca por aqui…








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